08 janeiro 2005

Uma "estóriazinha"

Iniciação à gestão, aos 10 anos de idade...

Era uma vez…

… 3 rapazitos, que montados nas suas bicicletas, se dirigiram, já num dia de férias de Páscoa e em franca época primaveril, para a área do Colégio, que frequentavam, para usufruir aí, do espaço e da calmaria, que o local proporcionava...

Passados, dois, três dias, um deles, foi acordado pela mãezita, que, com cara de querer dar poucos afagos, adjectivava a sua mímica, com palavras pouco abonatórias, para quem as ouvia, fazendo-o despertar assarapantado e com estranheza pela algaraviada, contrariamente ao habitual…

Trazia na sua mão, um papel. Era uma intimação do Sr. Comandante da Guarda Republicana, que mandava apresentar o dito aluno, no seu quartel, para ser ouvido como arguido... Não dizia qual ofensa ou o acto praticado(?)...

No dia aprazado, lá foi o aluno de 10 anitos... a caminho do Posto, para ser ouvido e “julgado”, por algo que desconhecia...

Enquanto esperava, pelo “Implacável Cabo Comandante do Posto”, que tinha fama de ser intransigente, e, de ter poucos amigos, imaginava como seriam as "masmorras" e qual o motivo que o ali levara… (tudo isto entre deambulações de fardas e botas cardadas, que entravam e saíam num rodopio, fazendo-o sentir-se, num campo de urtigas, e, não de amoras silvestres, tal e qual como o João perante o "gigante", logo que subiu o feijoeiro).

Depois de uma boa meia hora de espera, um agente mandou-o entrar para um gabinete, singelo e austero, com apenas uma secretária, uma cadeira, um cofre cinzento, a um canto, e, mais um retrato do Sr. Presidente, de então.

Sentado na cadeira e com cara de poucos amigos, o Sr. Cabo Comandante, levantou o olhar e com voz grave e condizente, disse:

- Malandros mal-formados… como podem invadir a propriedade privada e destruir as árvores de fruto alheias, provocando-lhe danos irreparáveis e ficarem impunes?!…

- Quem são os outros dois que no dia (x) te acompanhavam e, que no colégio, destruíram as cerejeiras que lá se encontravam?…

Ficou incrédulo e quedo. Ter-se-ia enterrado pelo cimento abaixo, se fosse possível transformar-se em broca…

E o Cabo venerando, continuou:

- Não vale a pena dizeres nada, porque já sei quem são… A pedido da Vossa Directora, cada um irá desembolsar 25$000 reis, para pagamento dos estragos. Se vos volto cá a apanhar, pelo mesmo motivo, não saireis daqui sem uns açoites e uma passagem pelo calaboiço.

- Vai-te. Amanhã, bem cedo, não te esqueças de me fazer entrega dos 25$000 reis, para eu os poder dar à vossa Directora.

Dali, saiu o petiz, sem palavra ter proferido, com o rabo entre as pernas, conforme o ditado popular, a meditar na razão pela qual, naquele dia, o mundo resolver dar uma volta e cair-lhe nos costados. Dirigiu-se para o local habitual de reunião, no jardim público, da vila, para contar e tentar saber a razão daquele desiderato…

Como era habitual, lá se encontrava a galfarragem do costume…

Começou por contar, como tinha abandonado o reino de Morfeu e de todas as contrarieadades, a que foi submetido durante aquele dia.

O problema maior, a resolver, era como iria arranjar os milhares de “reis”, no total de 25.000, para pagar no outro dia, pela manhã, como lhe foi imposto pelo “Senhor Cabo do Decalitro”…

Quanto à explicação, sobre o motivo da sua passagem pelo “CALABOIÇOl”, veio de seguida, pela voz de um dos presentes, que já tinha passado pela mesma situação, e, que recordou que no tal dia (x), enquanto deambulavam pelo recreio, um deles - ainda hoje, não se sabe qual - terá ido a uma pequena cerejeira, que iniciava ali o seu ciclo de vida, agarrada à pedra da parede, sob a janela da sala do 2º Ano, onde cresciam 2 cerejas, raquíticas, ainda num matiz variável, entre a cor exterior e interior da melancia, que resolveu, logo ali prová-las, para que soubesse e pudesse informar, a proprietária, "Directora", da valia ou não, de deixá-la crescer, consoante fosse a sua qualidade. Só não transmitiu, os adjectivos a aplicar, porque não havia vivalma na grande casa, agora abandonada, durante as férias... (pelo menos assim parecia…).

Nenhum deles ficou com a dívida por saldar…

E, foi, por tal facto, que três rapazitos, desde cedo, tomaram contacto com a "usura", o "poder", o limiar da “marginalidade” e com a "gestão de grandes pomares".

Mas, pelo que consta, serviu-lhes de lição, pois que, já em tempo de “EUROS”, (como vão longe os tempos dos MIL REIS...), nada consta, nos seus registos criminais, tendo-se tornado pacatos cidadãos, laboriosos e empreendedores, cada um na sua actividade, cultivando os princípios da ética, respeito e sociedade, que foi ali, naquele mesmo colégio, que desde cedo, aprenderam a cultivar.

Toda esta "estória", se deve à inflexibilidade da "Directora" e do “Poder Policial”, contra os “Adamastores” e contra a vilanagem, daquela pequena vila, personificada naquelas três pequenas criaturas, gentes de palmo e meio, avassaladores e usurpadores, da propriedade alheia…

Nada consta sobre as represálias e açoites havidos no "LAR"...

... a memória tratou de os fazer cair no esquecimento…

(texto de António Carlos Marques Cabral - 8 de Fevereiro de 2004)

04 janeiro 2005

Vamos reatar o tempo do labor

O ano de 2004 se finou... e que tragédia no extremo oriente.

Há necessidade de a comunidade científica se unir para que se prevejam as catástrofes e se possam minimizar. Tanta tecnologia e que para nada serve... há que distribuir a informação em tempo útil e oportuno.

Tantas almas perdidas, de diversos credos e religiões, de um segundo para o outro, tanta desgraça e tanta fome durante estes últimos dias...

... senhores poderosos e não só, vejam aqui o exemplo de que o "homem" é um "zé ninguém", confrontado com a natureza... e com o sobrenatural. Gaste-se com a busca de novas tecnologias, para por ao serviço da "Humanidade" e acabem-se com as vaidades pessoais e políticas, que só fomentam a desavença e conduzem à "Guerra".

... lembrem-se que os dinossauros também existiram...

Que este ano de 2005 não traga desordem e infelicidade ao mundo e que se consigam avanços científicos na área da saúde e educação, para que o "Planeta" possa servir melhor a raça humana e todos os seres que nele habitam, para que se possa perpétuar a existência de seres vivos na Terra.

A todos os leitores um bom ano de 2005

Reflexões

Hoje recebi 1 mail do Secretário do Partido Sicialista... será porque me considera amigo... não tive o privilégio de lhe ser apresentado, nem tendo até ao presente momento entrado na sua Sede, nem em qualquer outra, ou ter escrito qualquer formulário de partido algum. Nessa carta consta um boletim de inscrição no partido, logo sinto-me assediado, tal e qual como se se tratasse de um produto de qualquer supermercado ou empresa de time sharing, introduzido na caixa de correio, com a indicação de não receber publicidade. Indica-se um novo "azimute"... não se diz é qual é a escala de referência nem qual é o valor a introduzir na bússola. Pelos vistos, serão elementos de anteriores equipas, que irão estabelecer os novos rumos... Será que a agulha vai indicar anteriores direcções? Aguardemos.

Tédio

Mais um fim de-semana de Janeiro... Ainda bem que ontem fui empurrado do aconchego de casa, para uma sala de cinema, por minha filha, que me fez recordar a minha meninice e os meus sonhos de curto prazo de estudante, adolescente, que eram os "bailaricos" nas épocas festivas - Natal, Ano Novo e Páscoa - e nas festas populares de Junho, assim como as festas da vila. Sim vila, já que não teve evolução e se deixou ultrapassar pelas suas vizinhas, hoje grandes cidades, porque tiveram classe política e empresarial, que lhe trouxeram prestígio e desenvolvimento. Chamava-se então o filme "shall we dance Mr. Clark?". Desde pequeno que aprendi a dançar e sempre que música ouço o meu pé estremece e deambula, nem que seja sobre a sola do sapato... Tenho imensa pena, apesar de ter tido oportunidades, fruto de vários condicinalismos, de nunca ter passado além do solfejo e do canto coral, e, por isso, a minha "real pena" de não ser "músico", mesmo que de forma amadora e só lúdica, para satisfação e entretenimento pessoal. Tudo isto para dizer que a dança me cativa e me empolga... mas, que poucas vezes tenho a sorte de por em prática; primeiro, porque era filho único e só como acima referi tinha possibiliadde de dar ao pé, já que a sociedade da altura era fechada e não permitia o contacto entre sexos opostos, fora dos cânones impostos e verificados in loco por qualquer um dos progenitores do lado feminino; segundo, após a fase inicial do matrimónio, pelo contrário, minha esposa, não é dada à dança, apesar de saber um pouco de música e até por vezes praticar... e a minha filha também não; por isso vejo-me arredado de uma actividade que me dá prazer, já que não tenho feitio, para como acontece com as dirversas gerações, que me sucederam, de andar a movimentar-me "sózinho" , apesar de poder estar rodeado de centenas de pessoas, a "abanar o capacete". As conclusões do filme são para ser lidas a dois, por forma a que cada um dos cônjuges, esteja atento às necessidades de preenchimento do tempo disponível do outro, já que no desenrolar do dia-a-dia e fruto do labor e da vida rotineira e rápida, por vezes não se nota a solidão do parceiro, que por circunstâcias e casualismoss, arranja alternativas afectivas, para ultrapassar a nostalgia e o marasmo em que cai, mesmo sem querer por em causa a vida familiar e o amor que os une, mas podendo por em risco a estabilidade familiar. Aconselho todos a ver o filme. Pois é, toda esta lamechice, por causa do crepúsculo vespertino e invernoso, que a pouco e pouco, lá fora, se apropria da luz e da cor, encaminhando-se prá noite profunda, que causa insónias aos mais débeis, e, grande tédio e nostalgia a quem tem como objectivo o esgotar das horas de lazer de mais um Domingo, pra que um novo dia comece, na manhã da 2º Feira, seguinte, provavelmente ao som de um"sonoclock" da Sony, produzido na China, cheio de notícias fatalistas, veiculos da desgraça e da miséria alheia, que nós não podemos socorrer, ou escandalosas, sobre políticos e dirigentes, que não têm categoria para o desempenho das altas funções que desenvolem, ou melhor, deveriam desenvolver, devido à falta de educação, ética, escrúpulos e seriedade. É com este espírito "negativo" que mais uma semana começa, mas é o "fado" do "Zé Português"... Sim, porque ainda a semana de trabalho começa às segundas-feiras... O luar começa a ser intenso e como tal é hora de parar a reflexão e me virar para a realidade... do final domingueiro. Boas-Vindas à noite.