04 janeiro 2005

Tédio

Mais um fim de-semana de Janeiro... Ainda bem que ontem fui empurrado do aconchego de casa, para uma sala de cinema, por minha filha, que me fez recordar a minha meninice e os meus sonhos de curto prazo de estudante, adolescente, que eram os "bailaricos" nas épocas festivas - Natal, Ano Novo e Páscoa - e nas festas populares de Junho, assim como as festas da vila. Sim vila, já que não teve evolução e se deixou ultrapassar pelas suas vizinhas, hoje grandes cidades, porque tiveram classe política e empresarial, que lhe trouxeram prestígio e desenvolvimento. Chamava-se então o filme "shall we dance Mr. Clark?". Desde pequeno que aprendi a dançar e sempre que música ouço o meu pé estremece e deambula, nem que seja sobre a sola do sapato... Tenho imensa pena, apesar de ter tido oportunidades, fruto de vários condicinalismos, de nunca ter passado além do solfejo e do canto coral, e, por isso, a minha "real pena" de não ser "músico", mesmo que de forma amadora e só lúdica, para satisfação e entretenimento pessoal. Tudo isto para dizer que a dança me cativa e me empolga... mas, que poucas vezes tenho a sorte de por em prática; primeiro, porque era filho único e só como acima referi tinha possibiliadde de dar ao pé, já que a sociedade da altura era fechada e não permitia o contacto entre sexos opostos, fora dos cânones impostos e verificados in loco por qualquer um dos progenitores do lado feminino; segundo, após a fase inicial do matrimónio, pelo contrário, minha esposa, não é dada à dança, apesar de saber um pouco de música e até por vezes praticar... e a minha filha também não; por isso vejo-me arredado de uma actividade que me dá prazer, já que não tenho feitio, para como acontece com as dirversas gerações, que me sucederam, de andar a movimentar-me "sózinho" , apesar de poder estar rodeado de centenas de pessoas, a "abanar o capacete". As conclusões do filme são para ser lidas a dois, por forma a que cada um dos cônjuges, esteja atento às necessidades de preenchimento do tempo disponível do outro, já que no desenrolar do dia-a-dia e fruto do labor e da vida rotineira e rápida, por vezes não se nota a solidão do parceiro, que por circunstâcias e casualismoss, arranja alternativas afectivas, para ultrapassar a nostalgia e o marasmo em que cai, mesmo sem querer por em causa a vida familiar e o amor que os une, mas podendo por em risco a estabilidade familiar. Aconselho todos a ver o filme. Pois é, toda esta lamechice, por causa do crepúsculo vespertino e invernoso, que a pouco e pouco, lá fora, se apropria da luz e da cor, encaminhando-se prá noite profunda, que causa insónias aos mais débeis, e, grande tédio e nostalgia a quem tem como objectivo o esgotar das horas de lazer de mais um Domingo, pra que um novo dia comece, na manhã da 2º Feira, seguinte, provavelmente ao som de um"sonoclock" da Sony, produzido na China, cheio de notícias fatalistas, veiculos da desgraça e da miséria alheia, que nós não podemos socorrer, ou escandalosas, sobre políticos e dirigentes, que não têm categoria para o desempenho das altas funções que desenvolem, ou melhor, deveriam desenvolver, devido à falta de educação, ética, escrúpulos e seriedade. É com este espírito "negativo" que mais uma semana começa, mas é o "fado" do "Zé Português"... Sim, porque ainda a semana de trabalho começa às segundas-feiras... O luar começa a ser intenso e como tal é hora de parar a reflexão e me virar para a realidade... do final domingueiro. Boas-Vindas à noite.

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