Desde há muito tempo que me tornei admirador da integridade, honorabilidade, sensatez e sapiência, do Prof. Dr Freitas do Amaral.
Há cerca de uma semana corre o folhetim Freeport, por toda a Comunicação Social, quer escrita, quer televisiva e radiofónica.
Tenho sido um grande defensor da JUSTIÇA, crendo que toda a morosidade se deve à falta de meios postos à sua disposição, pelos governos e aos trâmites da lei, que em nome do bom nome dos arguidos ou indiciados, trava a rapidez e celeridade exigida.
Ora, com o avolumar dos casos, e, sempre coincidente com períodos eleitorais, começo a descrer, como já descrê a maioria da população deste país, esse povo anónimo, em nome do qual esses políticos servem e se servem, consoante as suas necessidades políticas e por vezes pessoais.
Ora, a minha intervenção, neste momento e que me leva a escrever estas linhas, serve para mostrar a minha indignação, contra o Professor doutor Freitas do Amaral, pago a peso de ouro, pelos seus doutos pareceres, que eu achava merecidos.
Porquê?
Porque ao ler o Expresso desta semana, mais precisamente, o artigo de opinião de Filipe Santos Costa, na sua página doze, verifico o troca-tintas que aquele professor é, que por muita justificação que dê e argumentos que expresse, jamais terá para mim credibilidade.
Aconselho a que todos leiam o referido artigo, onde se mostra que, o que era verdadeiro para FA, em 2002, já o não é 2008/9.
Em 2002 editou um livro onde punha em causa que um governo de gestão pudesse legislar, para além da gestão de governo, até à posse de um legítimo. Em 2008/9, e passo a transcrever,"No livro Governos de Gestão, que Freitas do Amaral reeditou em 2002 (em plena gestão de Guterres, o futuro ministro de Sócrates contesta o entendimento do TC considerando que é inconstitucional e deve ser reprovada a desenvoltura com que os governos legislam por decreto-lei muito para além do estritamente necessário. O professor mostra a firme convicção de que estes actos legislativos, devem ser considerados em princípio, proibidos, salvo quando ocorram circunstâncias excepcionais. Agora Freitas defendeu não haver qualquer ilegalidade no processo Freeport".
Já desde há algum tempo, tempo da aproximação a Mário Soares, aquando de uma das suas candidaturas, eu desconfiava que o Dr FA, tinha uma estratégia política, a fim de chegar à mais alta magistratura da Nação. Não o podendo fazer através do seu partido, arranjou modo de o fazer, afastando-se dele, e, colando-se ao lado de Mário Soares, para ser seu substituto na primeira oportunidade, via PS.
Tanto é, que chegou a ministro dos negócios estrangeiros, de Sócrates, mesmo com todos os problemas clínicos, que invocou, para o deixar de ser, logo que naturalmente fosse candidato a Presidente.
Só não aconteceu porque o aparelho do partido não o permitiu.
Logo de seguida, ou, quase de seguida, apresentou a sua demissão, invocando o seu estado de saúde. (Que foi operado, foi... mas nada me impede de fazer tal juízo.)
Para concluir, reafirmo, que os políticos são cata-ventos, tendo-me socorrido deste conhecimento de factos, que toda a gente tem, para raciocinar linearmente, afirmando que se das altas figuras de uma nação, os que parecem mais ínclitos e impolutos, dão estes exemplos de volatilidade, quando a ideias jurídicas, sendo profissionais da justiça, tudo pode acontecer, já que os factos nunca são comprovados e as conclusões levadas até ao fim, arrastando-se os processos por anos a fio, quer sejam a nível da Justiça ou da Disciplina, quer sejam a nível da Empresa ou de Órgão Público, desde que não haja vontade por parte do decisor, que de tempos a tempos, por sua necessidade vai largando boatos e/ou factos, a fim de colher dividendos.
Se há quebra do segredo de justiça, será por falta de acção do poder correspondente.Que não avança, tanto quanto as expectativas dos injustiçados, ou, dos que se julgam injustiçados, que de acordo com a lei participam os factos a quem de direito, contrariamente aos que conhecedores dos factos, em vez de participarem aos canais da justiça, os tratam à sua maneira, apesar de por Lei, não poderem omitir esses mesmos factos.
Temos o exemplo do caso Freeport, o qual em vez de a informação do pedido dos 4.000.000, não se sabe de quê, ter sido canalizado para o Ministério Público, ficou a nível dos gabinetes.
Temos que para futuro,também no programa da SIC, Quadratura do Círculo,ficou registada a opinião do actual presidente da Câmara de Lisboa, que perguntado como reagiria, em caso idêntico, respondeu, por suas palavras, que trataria de falar com quem colocou o problema, ficando por omissão, que não participaria ao Ministério Público, como o fez o Ministro do Ambiente, nos idos anos de 2002.
Assim, não vamos suplantar a crise, provocada pela Globalização (ganância do sistema financeiro internacional), já que a dúvida e a suspeição persistem, não reabilitando quem está inocente e não castigando quem é corrupto e criminoso, circulando todos na mesma roda social e mediática, como se todos tenham direito aos mesmos "direitos e deveres", saltitando por vezes de lugar em lugar, mantendo e ampliando o leito da promiscuidade e da corrupção.