12 dezembro 2006

Um encontro de velhos companheiros e amigos

Nos passados dias 7 e 8 de Dezembro, todos os saudosos, alunos do Externato da Imaculada Conceição (E.I.C.), sim porque os outros não aparecem, comemoraram mais um aniversário com uma ceia em 7, e, uma Missa de Acção de Graças em 8, na veneranda e jubilada Igreja Matriz de Santa Maria, na Vila de Celorico da Beira.

À Cerimónia Religiosa, seguiu-se um almoço de confraternização, na Ponte Nova, no antigo Lagar de Azeite, em boa hora convertido em restaurante. Local esse que já durante a tarde e noite, do dia anterior, tinha servido para a Ceia, onde participaram como abrilhantadores, o Sr Major Almeida, com os seus truques de ilusionismo, com cartas, e, um agrupamento de músicos, já filhos de ex-alunos e amigos, que nos fizeram reviver outras épocas, da nossa meninice e infância.

Ora logo nesta ceia, ficou aprazada a prova das castanhas e da jeropiga, com uns quantos, em casa do "Luisinho", para a tarde do dia 9, pelas 17 h 00, partindo, os que já ali não pertenciam, de imediato, para a estação, a fim de tomar o comboio em direcção às suas casas.

Chegados alguns com atraso, ao encontro das castanhas, estava em causa a partida... para o comboio. Eis senão, que um dos convivas era o Abraão, que também de saída estava para a sua morada, que por sinal ficava no caminho (... de ferro), para quem à Capital se dirigia.

Ficou assim sanado o problema da falta de tempo para a tomada do "TREM". Transporte já nós tínhamos...

Depois de termos sido presenteados, pela D. Zézinha, com uns peixinhos do rio e uns carapauzinhos fritos, regados com um bom "tintol", provenientes das cepas, das faldas da serra, viradas a NW, já nas cercanias de Vale de Azares, foi hora de provar a jeropiga, caseira, como o vinho e as castanhas...

... eis senão quando, houve necessidade, daqueles que, partiam e traziam as suas malas/volumes, de se baixarem para as apanhar e tomarem lugar na viatura, que um deles, com os olhos toldados pelos gases e vapores, da adega, se inclinou em demasia, tendo havido necessidade de lhe travar o movimento, já que a sua cabeça, roçou o chão... Lá se amparou e endireitou, continuando a tagarelar, como até ali... a pesar de estar já com volumes e peso em demasia. Tinha acabado de comprar 6 (seis) queijos do "precioso" queijo da serra, que pesavam como chumbo... e ainda aceitou um garrafão do precioso néctar, que o anfitrião lhes ofereceu, tendo todos os outros declinado a oferta, já que era impraticável o seu transporte...

... depois da carga arrumada, na viatura, lá partimos a caminho da Linha do Norte, que tomaríamos, já a sul de Coimbra. Pelo caminho, a conversa foi activa, a reavivar velhos tempos, com o "acalorado", refastelado no banco de trás, a participar com a voz entaramelada e arrastada, de quando em vez, entre os estádios de sonolência e dormidelas. Chegados ao destino, para tomarmos o comboio e descarregadas as bagagens, foi hora da despedida, do nosso colega, que por ali ficou, não sem nos ajudar a transportar aquelas, até ao interior da Estação.

O meu companheiro de viagem, tropeçava e ria-se. Na hora de adquirir o bilhete... só havia papel (cheques). O metal tinha desaparecido... mas rebuscando bem... ainda chegou para o "Ticket".

Não é que o comboio a apanhar, era o mesmo que deveríamos ter tomado na Beira... Era esse mesmo, que chegou passados alguns minutos...

As bagagens eram muitas e (nós) os carregadores, poucos... e lá fomos nós a correr de bagagens e "garrafão" na mão... a subir para o vagão bar, que era o que mais perto estava da carruagem que deveríamos ocupar.

No trajecto, para a carruagem, a boa disposição imperava e o garrafão era o "objecto" dos risos e trejeitos trocados... já que parecíamos uns "excursionistas" à Serra da Estrela, para ver a caravana da volta a Portugal, passar.

Lá entrámos. Conferidos por mim os assentos, meu amigo, logo ali se ajeitou, sem me permitir, arrumar o garrafão, no compartimento reservado à bagagem, como fiz com todos os outros artigos. Depositou-o a seus pés... sob as pernas. Abriu a mesa de apoio. Estendeu um braço, colocando a mão sobre a mesma, e, adormeceu... sem mais um pio.

Só acordou em V. Franca.

Chegados à Gare do Oriente, apeámos e deambulámos pelos diversos pisos até chegarmos à gare do metropolitano...

... sempre a arrastar a bagagem... e o garrafão... de estação em estação... tivemos que apanhar 3 composições...

Estávamos na estação da Alameda... era necessário apanhar o elevador ou descer as escadas. Mais uma vez, com todas as tralhas e o "garrafão"... Perante tal aparato, apareceram dois trabalhadores do metro, que estavam a sair de serviço, que solicitamente nos indicaram o local do elevador... ali a uns metros. O meu companheiro agradeceu a informação e retorquiu, que já que ali estávamos, era de descer as escadas. Começou então a dialogar com aqueles funcionários e a manifestar-lhes as qualidades dos queijos que ali levava, fazendo uma grande propaganda àquele produto tão genuíno (... já duvido) da nossa região, e, de forma peculiar e tão ao jeito dos nossos conterrâneos, fazendo jus ao cognome da nossa vila.

Quando chegámos ao Campo Grande, os ares eram outros... a verticalidade tinha ressurgido.

Era hora de marchar para o destino final. Hora de despedidas e reafirmação de um dever cumprido, por nossa parte, já que os de perto não costumam aparecer aos encontros, e , cheios de vontade de novamente rumar a terras beirãs, na certeza de que lá voltaremos para as comemorações de mais um aniversário do nosso Externato da Imaculada Conceição. Tão breve quanto a organização o torne possível, já que, foi "ele", que permitiu que voássemos, como se diz, no nosso hino, como "Aves de Abril" para o mundo, para cumprimento da nossa quota-parte na TERRA, que todas as gerações têm obrigação de preservar. Até um dia destes, caríssimos colegas.

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